Vitória, ES, Sábado, 23 de Setembro de 2017

AJUDAR E SERVIR

Horário do Atendimento Fraterno

O Atendimento Fraterno é realizado das 9:30 horas às 12 horas aos domingos e das 7:30 horas e 16 horas aos sábados. 

Âmbito de ação

Os problemas que aturdem as criaturas humanas, nos dias de hoje, são os mais diversificados possíveis e vão, desde a necessidade pura e simples do conhecimento, às angústias superlativas dos que se encontram sobraçando os mais pesados fardos. Nesta variada gama está a clientela que busca o Atendimento Fraterno dos Centros Espíritas.

Uns perderam entes queridos e não conseguiram superar a dor dessas perdas; outros, não alcançando um relacionamento estável na vida afetiva ou familiar, transferem para o convívio social os seus conflitos, desajustando-se e fracassando nas metas programadas; alguns, pedindo por outros, tocados de compaixão ou incomodados pelo desequilíbrio daqueles com quem se relacionam; há os vitimados pela pobreza, pelo desemprego, cuja problemática, conquanto de ordem material, tem raízes e implicações mais profundas; também, entre essa clientela, se incluem os viciados, vitimas de si mesmos mas, de um certo modo, atingidos pelo meio hostil de uma sociedade ainda não transformada pelas luzes do Evangelho; incluem-se os doentes de toda ordem: da mente, do corpo e da emoção, em processos demorados de inadaptação social; por fim, os que, de uma hora para outra, se vêem a braços com desafios superiores às suas forças. 

Todos pleiteando soluções específicas e encaminhamentos adequados para suas dificuldades. Em síntese, poderíamos dizer que o alcance do Atendimento Fraterno engloba as diversas nuances do sofrimento humano e diretamente os problemas engendrados pelo ego personalístico, que propelem os indivíduos àutilização incorreta do livre arbítrio.

Destaque para a problemática da obsessão a doença do século, ainda pouco considerada - pois de permeio com muitos desses conflitos humanos estão as interferências espirituais variadas, gerando alterações do comportamento e da emoção de ampliados riscos e conseqüências.

É o Centro Espírita um campo de trabalho, entre tantos outros, onde o Cristo espera que a distribuição de Sua misericórdia seja prodigalizada. Todavia, a atividade de ouvir e orientar-dialogando está presente em todo lugar, é parte da vida, podendo e devendo ser exercida onde se esteja. Não há quem não se recorde que, em algum momento da existência, precisou ser ouvido e auxiliado por outrem a encontrar um rumo, a solucionar um conflito interno. 

Esse alguém pode ter sido o pai, a mãe, um professor, um amigo ou mesmo um estranho que se aproximou, providencialmente, a partir daí fazendo-se o benfeitor a favorecer com elementos decisórios importantes para o existir. Propomos, a seguir, algumas situações ou oportunidades onde o Atendimento Fraterno se impõe como dever daqueles que disputam a honra de ajudar e servir.

No lar

Esteja atento ao comportamento psicológico do seu familiar. Registrando algo de anormal na sua convivência com ele, induza-o a abrir o coração. Possivelmente ele está precisando de uma palavra de conforto moral, um roteiro orientador para uma problemática iniciante, que poderá ser contornada em tempo hábil mediante o apoio no seio da família. Lembre-se, sempre, que Deus ajuda à criatura através de outra criatura.

Quando notar, no seu filho, os primeiros sinais da conduta anti-social e anti-fraterna, aborde-o com bondade austera, evitando que a repetição da ocorrência crie o hábito infeliz. Erradique no nascedouro as raízes do mal, não permitindo que a falta de atenção lhe tolde a visão do que é mais essencial para a sua própria vida: os deveres que o amor impõe no cuidado e zelo com as plantas tenras que Deus lhe confiou.

Notando que alguém do círculo familiar vive dificuldades ásperas, inerentes ao carreiro evolutivo, adiante-se para oferecer sua contribuição de ajuda, tornando-se solidário. Conquanto não deva assumir por ele os deveres que a ele compete, contribua, de algum modo, passando as suas experiências e dando, com ele, os passos necessários para que se sinta seguro e amparado.

Receite, incessantemente, o tônico preventivo do amor, ensinando dentro do lar os caminhos de Deus e da retidão de caráter, através do próprio exemplo, antes que o “fermento” deteriorado das influências alheias arraste os filhos dalma para o corredor escuro das viciações. Ensinamentos sonegados no lar, colheita de êxitos diminuída.

No trabalho

Não se isole do companheiro que divide com você as horas estafantes de sua jornada de trabalho. Estando emocionalmente a ele ligado, em surgindo na vida do colega a dificuldade moral e o momento inquietante, eis o seu instante de compartilhar-ajudando, extravasando sentimentos fraternais em ondas de amizade pura. 

O verbo, utilizado a serviço da compreensão, é como gotas de remédio oportuno para minimizar aflições e abrir horizontes alentadores de otimismo e de esperança. Se hoje você ajuda, mais adiante poderá ser aquele que necessita ser ajudado.

Essa é uma mensagem de auxílio que você passa silenciosamente. Ante o rastilho de pólvora da desconfiança e da competição inescrupulosa. sejam seus a palavra sensata, a atitude fiel e o comportamento recatado quanto nobre. E de real valor a presença de alguém que se pronuncie com eqüanimidade e justiça onde medra a discórdia. disfarçada ou nao. Esforce-se para conservar o bom-humor, para que não seja você o interruptor a desligar o circuito da alegria, destoando dos demais. Porém, a pretexto de estar bem com todos não comungue com o anedotário vulgar e a conversação vazada em termos maledicentes e depreciativos. Todos acabarão se acostumando com o seu jeito de ser e respeitando os valores morais de seu caráter reto.

Defenda princípios de cooperação, valorizando o esforço de todos. Não explorar nem se deixar explorar é atitude educativa que abre, sempre, possibilidades para trocas de qualidade superior.

Passe uma mensagem não verbal que traduza a sua alegria de viver, mantendo-se organizado e disponível. Uma decoração personalizada em sua sala de trabalho, uma mensagem otimista, emoldurada num quadro de parede ou sobre a sua carteira, pode ser o toque de sua presença falando à intimidade das outras pessoas.

Na via pública

Talvez seja coincidência um encontro inesperado, na rua, com uma pessoa desconhecida; mas pode ser alguém trazido à sua presença, por Deus, a fim de que você exercite a capacidade de amar ao próximo. Cumprimentando-a, gentilmente, ouça-a com a devida atenção. a fim de que possa ser útil e (quem sabe?) ajudá-la na solução de alguma dificuldade. 

Suas palavras, envolvidas por um sentimento empático, podem redirecionar aquela mente, se atribulada, abrindo espaço para que encontre resposta adequada. 

Um ídolo do voleibol citadino percorria despreocupadamente a via pública, dirigindo-se ao treinamento diário, quando, inesperadamente, ouviu alguém chamar-lhe. Voltou-se, curioso, para identificar o apelante e deparou-se com um adolescente que, de imediato, declarou-se seu admirador incondicional.

Conversaram durante alguns minutos, o suficiente para que o atlético desportista notasse o rosto do rapaz coberto de feias cicatrizes, dando-lhe uma aparência muito desagradável. Inquirindo, veio a saber que ojovem sofrera um atropelamento que redundou naquele ser deformado que estava, agora, diante dos seus olhos, fragilizado e infeliz.

Fizera oito operações plásticas de efeitos benéficos diminutos. Na semana seguinte iria submeter-se à nona intervenção e encontrava-se muito angustiado. A sua família não lhe dava a atenção desejada e, naquele encontro casual, estava recorrendo a um estranho para rogar apoio, compreensão, amizade.

Sim, estava pedindo que lhe fosse feita uma visita ao hospital geral da cidade, onde seria operado, pois a sua convalescença seria muito difícil de enfrentada, como das vezes anteriores, sem a presença dos familiares. Sabendo da impossibilidade de atender àquela solicitação, em decorrência dos compromissos profissionais do clube que defendia, o astro, religioso que era, aproveitou o ensejo para estimular o rapaz, dizendo-lhe da excelência da fé em Deus, que a ninguém desampara. Que ficasse tranqüilo porque tinha certeza que, daquela vez, os resultados da cirurgia seriam exitosos.

Incutiu naquela mente juvenil as bênçãos do otimismo, da esperança, e já ia despedir-se, quando o adolescente segredou-lhe: - “Não fosse este encontro com você e, talvez, eu desse cabo da minha vida, pois estava desesperado”.

No transporte coletivo

Verifique, sempre, quem está sentado ao seu lado, familiarizando-se com aquela fisionomia que lhe parece desconhecida. Pense: “Poderá ser alguém que esteja enfrentando as dificuldades naturais da existência, carregando, nos ombros, difíceis problemas íntimos; senão, poderá ser um amigo que a vida está me trazendo de volta”. 

Tente auscultar o que transita na mente da pessoa, mantendo uma conversação amistosa; aborde um assunto agradável para sondar-lhe a alma e, notando algum indício de qualquer carência relacionada com a personalidade fragilizada, fale da necessidade da comunhão com o Criador, que sempre dá sinal de Seu amor pelas criaturas através de uma infinidade de meios, e, em particular, pelos fios invisíveis do pensamento quando, em prece, a Ele nos ligamos.

Demonstre o seu interesse por aquilo que ele fala pois, assim, terá a oportunidade de prender a atenção do novo amigo para o que você lhe quer transmitir. E passe-lhe pequenas notas de compreensão e de interesse, construindo, a partir daquele instante, vínculos novos de amizade fraternal.

É a sua oportunidade para, discretamente, aplicar os recursos de uma construção de ajuda, sem interesses subalternos. Introduza, nos sentimentos dessa pessoa, que lhe parece um estranho, a força estimulante da sua afetividade, qual o bom samaritano que usa dos recursos da caridade ao próximo sem a preocupação de identificar-se. 

Não se preocupe em tornar-se inoportuno. Fale sem constrangimento, atirando a semente de bom-humor no solo promissor daquela alma merecedora de atenção. Sentado ao lado de um rapaz, visivelmente deprimido, na classe de um trem suburbano, aquele coração gentil conseguiu saber, através de suas habilidades inter-pessoais, do grande drama que se escondia naquele coração: - “Minha prisão envergonhou meus pais. Nenhum dos meus parentes visitou-me durante os oito anos que passei na Penitenciária Estadual pagando a dívida que contraí para com a Sociedade.”

O rapaz conjecturava que isso tivesse acontecido porque seus genitores eram pessoas de poucas letras e sem recursos financeiros para viajar. No entanto, uma grande interrogação o inquietava a todo instante: “Será que os meus entes queridos já me perdoaram?” Para facilitar as coisas, escrevera previamente para eles, dizendo que colocassem um aviso qualquer onde o trem iria parar, afim de facilitar a sua decisão de continuar viagem ou regressar difinitivamente ao lar. 

Quando o comboio de ferro se aproximou da cidade, embora as palavras otimistas e cheias de esperança que o amigo inesperado lhe dissera, o jovem não estava em condições psicológicas de olhar para a janela com o intuito de verificar a mensagem que os pais tinham para ele. 

Seu companheiro de viagem delicadamente ofereceu-se para essa incumbência, trocando de lugar com ele e se pondo a observar através da janela. Minutos depois, colocou a mão no braço trêmulo do ex-sentenciado dizendo em sussurro e emocionado: - Vê, agora. E o rapaz, com lágrimas incontidas nos olhos, leu a mensagem de boas vindas: - Benvindo sejas, filho de nossa alma.

No Centro Espírita

Ao perceber alguém que chega, por primeira vez, a Casa Espírita a que você está vinculado por laços de afeição e compromissos de serviços, aproxime-se, sorria, converse... seja alguém a dar boas-vindas com efusão de legítima fraternidade. Esse não é um trabalho protocolar e formal da responsabilidade exclusiva de quem dirige a Casa, mas um impulso espontâneo de quem está feliz com a convivência cristã e, por isso mesmo, interessado em expandir sentimentos de amizade.

Lembre-se que uma recepção fria traduz apatia injustificável, e que a presença de alguém na Casa Espírita, por muito tempo despercebida, demonstra que os que estão ali albergados se encontram enclausurados em si mesmos e pouco interessados na expansão da Boa Nova na Terra.

Que seja a sua presença na Casa Espírita uma viagem permanente ao coração de seu irmão. Integre-se no espírito da alegria, disputando a honra de trabalhar, com todos e entre todos, sem preocupações hegemônicas ou dominadoras. Cordialidade permanente, silêncio a qualquer impulso maledicente, o máximo de empenho para o aproveitamento de toda e qualquer contribuição, sem cobranças, exibicionismos, querelas... lembre-se que, em parte, depende de você o clima de amizade que atrairá os bons Espíritos.

Se marcas do passado e desafios do presente lhe ameaçam o compromisso com a postura fraternal, discipline os impulsos e cumpra o seu dever de trabalhar e servir até que possa amarem profundidade. Não seja você a pedra de escândalo, nem o ácido dissolvente da amizade, mas, antes de tudo, um ponto de referência para que o amor triunfe. 

Cuidado com a indiferença, o desapreço e as preferências para que tais atitudes não maculem a sua participação no esforço coletivo. Se o companheiro se afastou, conquanto não saiba o motivo, interesse-se por ele; nada custa um telefonema, uma visita, uma conversa estimuladora e, se enfermo, a sua presença junto a ele. São essas atitudes deveres impostergáveis, sem os quais a convivência cristã deixa de ter sentido, tornandose igual a outra qualquer.

As vezes, você deixa de adotá-las, não por descaso, mas por excesso de trabalho ou preocupações com os seus próprios problemas. Todavia, reveja a atitude e refaça as prioridades, pois os deveres da solidariedade estão em primeiro lugar no coração do espírita. (fonte de pesquisa: Projeto Manoel Philomeno de Miranda)

 

Núcleo Espírita Irmão Maurício - NEIM

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