Vitória, ES, Sábado, 23 de Setembro de 2017

TRABALHADOR ESPÍRITA

Boa vontade e perseverança

Agora que sabemos o que é a Doutrina Espírita, quais seus princípios e como ela deve ser praticada nos centros espíritas, comentaremos sobre como deve ser um trabalhador espírita.

Prestar serviço caritativo em uma casa religiosa requer boa vontade e perseverança.
Primeiro, porque sempre que modificamos algo em nossa vida, há como que uma barreira a ser transposta. Isso é a tentativa de mudança causando uma reação contrária.

Mudar o estabelecido, os costumes que temos, é muito difícil, pois nos fará rever conceitos e assumir novos compromissos.

E estas dificuldades de adaptação poderão ocorrer em muitos setores de nossa vida. Ao comentá-los, lembremos da "Parábola do Semeador", onde caberá a nós deixarmos ou não as sementes frutificarem em nossos corações.

No lar

Se ambos os cônjuges resolvem trabalhar em prol do próximo, não há problemas, pois os dois irão se ajudar nessa nova etapa da vida.

Porém, se apenas um toma esta decisão, terá que saber contornar, com paciência e humildade, as reclamações e questionamentos do companheiro(a).

Raros são os casos em que mesmo não frequentando um trabalho caritativo o cônjuge não implica com o outro. Isso porque inconscientemente sente-se diminuído, sem forças para buscar algo novo, o que começa a perturbar.

Cabe àquele que decidiu buscar fazer algo de bom pelo próximo manter um diálogo constante, sem forçar ao outro a mesma iniciativa.

Com exemplos na conduta e mostrando diariamente o quanto o trabalho espiritual tem lhe feito bem, irá tocar o coração do companheiro(a), que poderá vir a juntar-se a ele na seara de Jesus.

Mas mesmo que isso não ocorra, com o passar do tempo a mudança de atitudes dos que trabalham no centro espírita irá beneficiar diretamente toda sua família, ajudando na manutenção de um ambiente harmonioso e feliz, construindo um lar onde os filhos terão prazer em viver. Enfim, uma família cristã.

No trabalho

Muitos dos velhos companheiros do novo trabalhador(a) espírita irão estranhar quando, no sábado à tarde, ao invés de ir no futebol ou às compras no shopping, ele for visitar velhinhos no asilo; ou bater de porta em porta pedindo alimento aos carentes. 

Será, então, chamado de "carola", "fanático", "rato de igreja" e outros adjetivos próprios de nossa sociedade. Esta será a fase mais difícil, pois muitas vezes passamos mais tempo com os amigos do trabalho e do lazer do que com nossa própria família.

Isso também passará com o tempo, quando seus amigos perceberão que não é a dedicação de algumas horas semanais em benefício alheio que o tornará menos sociável. Pelo contrário, sentirão uma maior serenidade em seus atos, um maior equilíbrio em seu cotidiano.

E o futebol, como as compras, não deixarão de existir em sua vida. Apenas cederão um pouco de espaço para os que necessitam de nosso amparo.

Os vícios

Todos sabemos que cigarro e álcool não fazem bem para o organismo, nem em pequenas doses. Mas muitos de nós não conseguimos nos afastar, ainda, destes vícios. Compreendendo a Doutrina Espírita e como agem os fluidos que nos envolvem, percebemos que estes hábitos também prejudicam nosso corpo espiritual, o Perispírito, deixando-nos impregnados com as sensações dos mesmos.

O trabalhador espírita iniciante deve estar consciente da necessidade de lutar contra esses vícios materiais. Não de forma radical, pois a natureza não dá saltos. Mas de forma sensata e constante, contando com a ajuda dos bons Espíritos e de Jesus.

Já para o trabalhador espírita que pratica a mediunidade, ou que transmite passes, o uso do cigarro e do álcool é excluído. Isso porque no caso da mediunidade, muitos são os Espíritos comunicantes ainda ligados a esses vícios.

E para orientá-los, ou envolvê-los em boas vibrações, médiuns e doutrinadores precisarão ter a "força moral na palavra", prescrita por Allan Kardec. Ou seja, se vamos orientar alguém para desvincular-se do vício, nós mesmos devemos estar desvinculados. Caso contrário, nossas palavras não emitirão sinceridade, apenas superficialidade.

É o mesmo que o pai ou mãe que bebem, fumam ou falam palavrões quererem proibir os filhos de fazerem o mesmo. De nada adiantará, se não houver o exemplo.

Já no caso do passista, ao ministrar o passe estará doando seus fluidos, juntamente com os dos Espíritos superiores. E se os seus estiverem contaminados pelas substâncias contidas no cigarro e no álcool, irão transmiti-las aos receptores.

É verdade que de nada adianta o médium não beber ou não fumar e viver na mentira, desonestidade, adultério e orgulho. Porém, estes são os vícios morais que a convivência com a Doutrina deve nos levar a modificar. E, verdadeiramente, são mais difíceis de vencer.

Começar pelos vícios materiais pode nos ajudar a ter força de vontade. Cabe a nós decidirmos.

As compensações

Realmente, ser um trabalhador espírita necessita muito ânimo e coragem. Porém, as recompensas são reais.

Pois todo aquele que trabalha para Jesus com sinceridade no coração encontra o "Reino de Deus" dentro de si, que nada mais é do que a paz de espírito e o equilíbrio na vida.

Abaixo, transcrevemos uma passagem contida em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", capítulo 20, item 4, intitulada "Missão dos Espíritas", que nos mostra bem o que o Senhor espera daqueles que decidiram ajudar ao próximo.

Missão dos espíritas

"Não escutais já o ruído da tempestade que há de arrebatar o velho mundo e abismar no nada o conjunto das iniquidades terrenas? Ah! bendizei o Senhor, vós que haveis posto a vossa fé na sua soberana justiça e que, novos apóstolos da crença revelada pelas proféticas vozes superiores, ides pregar o novo dogma da reencarnação e da elevação dos Espíritos, conforme tenham cumprido, bem ou mal, suas missões e suportado suas provas terrestres.

Não mais vos assusteis! As línguas de fogo estão sobre as vossas cabeças. O verdadeiros adeptos do Espiritismo!... sois os escolhidos de Deus! Ide e pregai a palavra divina. É chegada a hora em que deveis sacrificar à sua propagação os vossos hábitos, os vossos trabalhos, as vossas ocupações fúteis.

Ide e pregai. Convosco estão os Espíritos elevados. Certamente falareis a criaturas que não quererão escutar a voz de Deus, porque essa voz as exorta incessantemente à abnegação. Pregareis o desinteresse aos avaros, a abstinência aos dissolutos, a mansidão aos tiranos domésticos, como aos déspotas!

Palavras perdidas, eu o sei; mas não importa. Faz-se mister regueis com os vossos suores o terreno onde tendes de semear, porquanto ele não frutificará e não produzirá senão sob os reiterados golpes da enxada e da charrua evangélicas. Ide e pregai!

Ó todos vós, homens de boa-fé, conscientes da vossa inferioridade em face dos mundos disseminados pelo infinito!... lançai-vos em cruzada contra a injustiça e a iniqüidade. Ide e proscrevei esse culto do bezerro de ouro, que cada dia mais se alastra. Ide, Deus vos guia! Homens simples e ignorantes, vossas línguas se soltarão e falareis como nenhum orador fala.

Ide e pregai, que as populações atentas recolherão ditosas as vossas palavras de consolação, de fraternidade, de esperança e de paz.

Que importam as emboscadas que vos armem pelo caminho! Somente lobos caem em armadilhas para lobos, porquanto o pastor saberá defender suas ovelhas das fogueiras imoladoras.

Ide, homens, que, grandes diante de Deus, mais ditosos do que Tomé, credes sem fazerdes questão de ver e aceitais os fatos da mediunidade, mesmo quando não tenhais conseguido obtê-los por vós mesmos; ide, o Espírito de Deus vos conduz.

Marcha, pois, avante, falange imponente pela tua fé! Diante de ti os grandes batalhões dos incrédulos se dissiparão, como a bruma da manhã aos primeiros raios do Sol nascente.

A fé é a virtude que desloca montanhas, disse Jesus. Todavia, mais pesados do que as maiores montanhas, jazem depositados nos corações dos homens a impureza e todos os vícios que derivam da impureza. Parti, então, cheios de coragem, para removerdes essa montanha de iniqüidades que as futuras gerações só deverão conhecer como lenda, do mesmo modo que vós, que só muito imperfeitamente conheceis os tempos que antecederam a civilização pagã.

Sim, em todos os pontos do Globo vão produzir-se as subversões morais e filosóficas; aproxima-se a hora em que a luz divina se espargirá sobre os dois mundos.

Ide, pois, e levai a palavra divina: aos grandes que a desprezarão, aos eruditos que exigirão provas, aos pequenos e simples que a aceitarão; porque, principalmente entre os mártires do trabalho, desta provação terrena, encontrareis fervor e fé. Ide; estes receberão, com hinos de gratidão e louvores a Deus, a santa consolação que lhes levareis, e baixarão a fronte, rendendo-lhe graças pelas aflições que a Terra lhes destina.

Arme-se a vossa falange de decisão e coragem! Mãos à obra! o arado está pronto; a terra espera; arai!

Ide e agradecei a Deus a gloriosa tarefa que Ele vos confiou; mas, atenção! entre os chamados para o Espiritismo muitos se transviaram; reparai, pois, vosso caminho e segui a verdade". (O Evangelho Segundo do Espiritismo, cap. XX, item 4) (fonte de pesquisa: Grupo Espírita Apóstolo Paulo)

Decálogo do trabalhador espírita, por Rodrigues Ferreira

1. Escolha seu centro espírita e participe dele

Cada centro tem sua maneira própria de interpretar as práticas e conduzir seus serviços doutrinários e assistenciais.

Assim, não fica bem, por causa da mistura interpretativa que se forma, além do desagradável constrangimento que pode surgir, que uma dada pessoa freqüente, ao mesmo tempo, duas ou mais instituições.

Não que seja proibido, pois a liberdade nos permite ir aonde quisermos, mas até por uma questão de ligação afetiva, para não falar sobre o fato de que, deste modo, não nos dedicamos, não tomamos parte, não estamos em lugar nenhum. Ninguém mora em duas casas, não é mesmo?

2. Primeiro, estudo espírita, depois, serviço espírita no bem

Reconhecendo que o serviço assistencial espírita é uma decorrência natural do aprendizado espírita, o freqüentador bem orientado deverá encaminhar-se, em primeiro lugar, para os estudos doutrinários de esclarecimento e motivação, até para aprender a suportar dificuldades e reduzir o coeficiente de melindres, tão usados para justificar afastamento dos trabalhos. 

E, depois, somente a Doutrina Espírita insiste na filosofia de que, na caridade, estamos servindo a nós mesmos. 

3. Na hora do estudo, interromper sua participação no trabalho

É tão desagradável ver um agrupamento espírita se empenhando em um estudo esforçado, caprichado e interessado, enquanto uma turma, do próprio grupo, se dedica a algum serviço!

Transmite a impressão de desorganização ou, o que é pior, a de desinteresse pelo aprendizado. É verdade que há casos especiais que justificam e permitem a medida, mas o referido aqui não é para estes.

Devemos todos dedicar-nos, o mais possível, para o nosso aculturamento, melhorando a nossa conscientização das coisas, pois, é o saber que liberta o homem. 

4. Adquirir e cultivar o hábito de ler

Interessar-se por jornais espíritas, revistas, mensagens e, sobretudo, pelos livros, buscando manter a média de leitura de, no mínimo, dois livros novos por mês.

5. Participar dos cursos doutrinários do seu centro ou de outros

Os cursos de aprofundamento na Doutrina estão em alta. Quase todo centro já montou o seu.

O companheiro espírita costuma adotar uma regra, esquisita, segundo a qual ele não precisa de curso nenhum, pois já estuda em casa. Quase sempre este é um raciocínio falso. Nós todos temos que aprender e quanto mais ensejo melhor.

E ainda tem a confraternização, sempre de primeira linha, no encontro com os amigos, não é verdade?

6. Não se distanciar dos serviços assistenciais

Nenhum estudioso sério de Doutrina Espírita permanece distante dos serviços assistenciais, até como aprimoramento prático dos próprios sentimentos.

E, neste aspecto, a ligação direta com os necessitados é o instrumento mais poderoso. Verifique se você faz assistência com suas próprias mãos.

7. Inteirar-se da vinculação estudo-serviço

Lá no centro existe uma ligação tão forte entre o estudo e o serviço que chego a estranhar quando não existe isto em outros locais.

Nossos serviços assistenciais foram criados para os companheiros que estudam doutrina nesta casa. Conscientizamos para que a pessoa se liberte e motivamos para que a pessoa se concretize.

8. Interpretar o serviço do próximo com equilíbrio

Refletir que estamos ligados aos serviços assistenciais como decorrência natural de nossa convicção espírita. Assim, trabalharemos no bem procurando a alegria de servir, ao lado de eficiência produtiva.

Não é nosso propósito fazer muita caridade, cultivar aquelas manias mundanas de grandeza material, de relacionar a grande quantidade de benefícios praticados, como se fazer muito é que fosse importante.

Faremos toda a caridade possível, sem a preocupação de resolver o problema da pobreza, apenas aproveitando a alegria atual de fazer algo.

9. Não se avaliar como um grande caridos

‘’Reconhecer, mas reconhecer mesmo, que, trabalhando e servindo, estamos, acima de tudo, cooperando a favor de nós próprios".

Assim fala André Luiz, em Encontro de Paz e, aqui na casa, costumamos dizer que o centro não precisa de nós, nós é que precisamos dele.

Dedicamo-nos, assim, a ocupar o nosso espaço, aceitando, humildemente, as atividades que nos cabem, esforçando-nos por sermos fiéis no pouco para que nossos talentos possam ser multiplicados

Afinal, estamos aqui para servir ou para sermos servidos? 

10. Não esquecer, nunca, o afeto

Não nascemos para assentar praça, para fazer bonito ou para gozar a vida. Foi para crescer espiritualmente. 

Incumbe-nos, então, o imperativo de buscar o afeto em nossas relações doutrinárias, inclusive com os necessitados. Pense nisso de vez em quando: dar pão aos pobres pode não ser uma caridade, pois, até um robô pode entregar. Mas se você puser afeto na sua pequenina entrega, ninguém pode substituí-lo (fonte de pesquisa: jornal Consciência Espírita, edição nº 3)

 

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